Avaliação: Volkswagen Saveiro Pepper

Saveiro capricha na apresentação e esquece do tempero

Fotos: Divulgação | Texto: Raphael Panaro

Gosto de pimenta, mas não sou entendido do assunto. Sei que existe uma enorme variedade e diferentes intensidades. A recém-lançada linha Pepper da Volkswagen é mais ou menos assim. O precursor Fox continua sendo uma pimenta do reino. Não arde muito, porém tem um  toque diferente. O Up Pepper (que você conferiu aqui) seria a malagueta: pequena, mas potente. O mais recente integrante dessa família, a Saveiro Pepper, é a famosa pimenta biquinho: ardência zero e boa para decorar pratos.

O preço, no entanto, é da pimenta chiltepin, que cresce nos desertos do México e EUA, e pode chegar a US$ 800 o quilo. A VW pede R$ 71.090 pela versão de  Cabine Dupla – R$ 4 mil a mais que a versão em que ela se baseia, a Higline.

A Saveiro Peeper teria um tempero se a VW optasse pelo 1.6 MSI, de 120 cv, e não o 1.6 MPI, de máximos 104 cv (com etanol). O motor é honesto, principalmente quanto ao consumo que não vai fazer seus olhos arderem. Na estrada, com gasolina, dá para registrar médias acima dos 13 km/l e na cidade, dos 10 km/l. O torque máximo de 15,6 mkgf aparece logo a 2.500 rpm. Isso faz com que o comportamento da picape compacta em baixas e médias rotações seja arisco. Mas o motor não é elástico e também fica devendo nas retomadas em velocidades mais altas. Quem dá a liga mesmo é a transmissão manual de cinco marchas. Como todos os VW de câmbio mecânico, a caixa MQ200 tem engates precisos, macios e curtos, além de ter as relações bem escalonadas.

Saveiro Pepper

DEDO-DE-MOÇA

Assim como as outras versões, a picape sofre com problema de ergonomia. Os pedais são deslocados para a direita e o joelho da perna que vai no acelerador fica encostado e batendo no painel central. A amplitude do ajuste do banco do motorista é limitada para o ocupante traseiro ter o mínimo de área para colocar as pernas ali. Apesar de homologada para cinco ocupantes, os traseiros precisam se apertar – ainda mais que os bancos são parrudos.

A Volkswagen capricha mesmo é no enfeite. Os R$ 4 mil extras surge em algumas partes pintadas em vermelho, como um filete da grade e capa dos retrovisores. Uma faixa preta, semelhante à da linha Cross, com inscrição Pepper, se encontra na tampa da caçamba e liga uma lanterna à outra.  O calçado ou as rodas de liga leve de 16” são diamantadas. E para fechar o look esportivo a pimenta (que deveria ser biquinho, mas é dedo-de-moça) e o nome alusivo à versão aparecem nos para-lamas dianteiros.

Por dentro, mais clichês. A coifa do câmbio e freio de mão, costuras do volante e moldura de ar recebem o manjado vermelho para conotar esportividade. A combinação com o resto das peças pretas fica bonita, mas nada de novidade até aqui.

FORTE

Ao menos ter como base a configuração Highline traz bons equipamentos de série como ar-condicionado, faróis e lanterna de neblina, chave tipo canivete com controle remoto, além de coluna de direção ajustável em altura e distância, trio elétrico, sensor de estacionamento, capota marítima e protetor de caçamba. O sistema de som tem e você quiser uma central multimídia mais completa com tela sensível ao toque, câmera de ré e GPS vai precisar desembolsar mais R$ 2.690 – aí o valor pularia para quase R$ 74 mil. A pimenta aqui é forte só no preço.

Saveiro Pepper

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