Avaliação: JAC T40

O JAC T40 era para ser brasileiro, mas foi gerado na China. E, enfim, chega por aqui

Fotos: Divulgação | Texto: Carlos Cereijo

O estardalhaço foi grande. Faustão, abertura simultânea de concessionárias no dia da inauguração, muito champanhe para o alto e discursos motivacionais de lacrimejar os olhos. Essa era a JAC de 2011 que trazia um hatch “quase médio”, o J3, completo, pelo preço de compacto de entrada. A JAC chegava com estardalhaço ao mercado brasileiro. A novidade criou uma discussão no mercado. O hatch chinês, mesmo pagando os impostos de importação, conseguia entregar mais equipamentos que os rivais nacionais. Invasão chinesa era um termo muito usado. Os números de vendas da JAC eram promissores.

Aí, numa canetada, o governo brasileiro aumentou para 35% o IPI para carros importados. Lá se foi boa parte da viabilidade da JAC. Na sequência vieram as cotas de importação livres da alíquota para as marcas que tinham fábrica no Brasil. Nesse mesmo período a JAC engrossou o discurso de novo e prometeu produzir o T40 por aqui. E, como você bem sabe, isso não aconteceu.

Mas ele chegou. O T40 virou uma espécie de carro refugiado. Foi acolhido na China com outro nome: S2. Só agora, em 2017, o modelo que nasceu para ser brasileiro desembarca aqui como importado.  Por R$ 58.990 o T40 quer abocanhar uma fatia de consumidores que está ficando órfã de utilitários esportivos com preço mais camarada. O Ford EcoSport, por exemplo, subiu para a casa de R$ 70 mil. E as novidades da Jeep, Honda, Peugeot, Renault e Nissan vieram em berço de ouro, por, no mínimo oitenta e tantos mil.

JAC T40

Nesse andar de baixo sobraram opções com maquiagem off-road, e é aí que a JAC quer conquistar as pessoas. A tática já é conhecida. O T40 tem uma lista de equipamentos e tamanho que os concorrentes não conseguem chegar perto nessa faixa de preço. Pode fazer a pesquisa. Itens como câmeras e sistema multimídia estão num pacote barato de opcionais: R$ 2 mil.

Sob o capô trabalha o motor 1.5 quatro-cilindros flex que já é nosso conhecido, ele também equipa o sedã J5. São 127 cv de potência e torque de 15,7 kgfm, quando abastecido com etanol. Mas ao volante as sensações são novas.  Em baixas rotações parece que o T40 não acorda, é preciso reduzir para conseguir embalo. Algo que não acontece no sedã. O câmbio manual tem engates que não comprometem a experiência. A marca promete para o ano que vem a chegada de um câmbio automático CVT. Já a suspensão não consegue anular o piso como se espera. Ela mantém o JAC na trajetória, mas chacoalha mais do que o ideal em pisos castigados.  

NA ROTA

O acabamento interno mostrou uma boa evolução. As linhas mais contidas e as peças bem encaixadas mostram empenho da JAC em entregar sensação maior de robustez. O espaço interno e lista de equipamentos são quase impossíveis de encontrar nessa faixa de preço – para carros 0 km, claro.

A JAC vai ter um longo caminho para consolidar a marca e derrubar os estigmas que os carros chineses carregam. Quem sabe o novo plano Rota 2030 – que substituirá o Inovar-Auto – regulamente os importados de maneira menos predatória e o T40 vire uma opção ainda mais interessante para um chinês entrar de vez na sua garagem.

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