Avaliação: Audi Q5 Ambition

Totalmente novo, ainda que tente o contrário

Fotos: Divulgação | Texto: João Anacleto

Embora tenha nascido antes, o sucesso do Q3 fez com que o Q5 se transformasse em uma espécie de “Q3 tamanho GG”, ainda que isso fosse um tremendo engano. A Audi sempre se esforçou em fazê-lo parecer mais usando grades metalizadas, rodas exclusivas, motores 4 cilindros, motores V6 e versão esportiva S, que nunca evoluiu para uma RS. Nada adiantou, e o Audi Q5 teve a mesma relevância em vendas que eu tenho nas decisões de Angela Merkel.

Apesar do passado inglório, a nova geração traz um pacote que promete ditar as regras do segmento dos SUVs médios premium, onde enfrentará lendas como o novo Volvo XC60 e o líder absoluto Land Rover Discovery Sport. Para seguir essa trajetória, a Audi lançou mão da nova plataforma MLB – que já equipa A4 e A5 – e transformou o Q5 no SUV que ele sempre mereceu ser.

Por fora, mesmo com substituição radical de plataforma, os designers da Audi preferiram deixá-lo – advinha como? – ainda mais parecido com um Audi Q3 com alergia a camarão, e isso é bom. Talvez seja esse o caminho do sucesso, já que o Q3 é o SUV mais vendido da marca. O novo Q5 perdeu aquele ar de jipe pesado, e reaparece com formas levemente mais fluidas na carroceria, especialmente nas caixas de rodas, agora bem pronunciadas nas laterais. Olhando a tampa do porta-malas, percebe-se que a Audi manteve a identidade do antecessor, com um vinco profundo na linha bem abaixo das lanternas. Os preços também mudaram. Na versão Attraction, ele sai por R$ 244.990, na Ambiente o preço é de R$ 274.990 e na Ambition custa R$ 292.990.

Audi Q5

MONZA

Além da plataforma que lhe tirou aproximadamente 50 kg de gordurinhas extras, outra novidade do Q5 é não dispor mais de motores com seis cilindros – um V6 3.0 estava disponível na versão Ambition, a mais cara até 2016 – agora só o 2.0 TFSI de 252 cv trabalha sob o capô, acompanhado da nova geração do S-Tronic de dupla embreagem e sete marchas. Este motor traz inovações como a válvula de alívio elétrica do turbocompressor e dois sistemas de injeção eletrônica, direta e indireta que entra em cena quando o regime de aceleração se dá com carga parcial. Isso aumenta a eficiência do conjunto, economizando combustível sem perder rendimento.  

Por dentro, o ganho em espaço interno é nítido, mesmo com um entre-eixos apenas 1,3 cm maior. A ancoragem dos bancos também foi refeita e com ajustes elétricos bem amplos, seres humanos de até 2 metros de altura poderão recuperar a sensação de quando tinham 12 anos e se sentavam ao volante do Monza do pai. Mas essa sensação se esvai quando você olha para o painel.

Por ali também chegou o Audi Virtual Cockpit, de série em todas as versões, como você já viu no nos modelos A4 e A5. Totalmente configurável, ele permite que você coloque o mapa do GPS entre os instrumentos, fique de olho no computador de bordo, na lista das rádios e músicas preferidas, ou, até, escolha para qual telefone vai ligar. Tudo isso com toques nos botões ao volante, ou pelo comando de voz. Não foi desta vez que o MMI Plus trouxe um monitor sensível ao toque, mas ele está disponível desde a versão Ambiente e, além das diversas funções de conectividade, como o espelhamento do celular via Android Auto ou AppleCar Play, traz consigo um touchpad integrado que permite que você desenhe as letras para, por exemplo, encontrar os contatos da sua agenda ou escrever o endereço das ruas no GPS.

Audi Q5

COMO SEMPRE

Avaliamos a versão Ambition, topo de linha, com belas rodas de 20” e grade com acabamento exclusivo, para chegar à conclusão de que o Q5 é o SUV ideal para quem procura mais emoções do que apenas o status pode dar. Ainda que as tecnologias de conectividade impressionem, o SUV surpreende por como é rápido. Mesmo com 1.720 kg ele consegue disparar de 0 a 100 km/h em apenas 6,3s, e isso é mais rápido do que muito esportivo por aí. A tração Quattro também foi aprimorada, e agora consegue medir a cada 2 décimos de segundo a maneira de mandar a força para cada uma das rodas.

Mas se esse negócio de acelerar não for a sua praia, o Audi também consegue agradar. Por R$ 12.300 você pode incluir um sistema de condução semi-autônoma, o Active Jam Assist. Ao toque de um botão na chave de seta, ele ativa o controlador de velocidade adaptativo e permite que você regule a distância do carro à frente e conduza o seu caminho lendo as faixas na via através do Active Lane Assist, isso a até 65 km/h pedindo que você toque no volante regulamente como questão de segurança.

No entanto, esta não é a grande virtude do Q5, sobretudo porque a concorrência – leia-se, o Volvo XC60 – já inclui um sistema autônomo semelhante por um preço mais acessível. O Q5 quer ditar as regras no segmento de SUVs médios premium para quem ainda conserva a predileção pelo poder que só o desempenho pode dar. Aliás, como sempre foi...

Compartilhe esse conteúdo



Comentários