Avaliação: Alfa Romeo Giulia 2.2 td

Os alfistas (finalmente) têm um sedã para chamar de seu

Fotos: Divulgação | Texto: Luiz Guerrero

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Os colegas da Car and Driver americana que fizeram o comparativo com o Alfa Giulia Quadrifoglio certamente se divertiram mais que eu. Mas não posso me queixar: rodar cerca de dois mil quilômetros na região da Toscana, na Itália, com o Giulia 2.2 turbodiesel Super foi tão prazeroso quanto percorrer as vinícolas da região e se fartar de chianti e de queijo pecorino, dois orgulhos nacionais. Há muito tempo, os fãs de Alfa Romeo não tinham um sedã do qual se orgulhar – o último havia sido o 75, cuja produção se encerrou em 1992. Desde então, a marca se especializou em carros com tração dianteira, muitos deles com mais personalidade de Fiat, dona da marca desde 1986, que de Alfa. Era pouco para voltar a cativar os alfistas e menos ainda para conquistar o mercado americano. O Giulia chegou para cumprir as duas missões, não necessariamente nesta ordem.

Um alfista consegue notar alguns pontos de contato entre o atual e o Giulia dos anos 1960 e 1970, como o cuore sportivo, o símbolo da marca, que se destaca na grade, e o compartimento do motor dominando o conjunto. O cluster, com dois relógios circulares, e o volante de três raios são outras reminiscências. E só os alfistas perceberão que o logotipo foi redesenhado: o fundo perdeu as cores branca e azul e recebeu o prata, mesma cor da fonte. A Serpente Visconti e a cruz foram reestilizadas. Por fim, um tifosi da marca será forçado a admitir que o Giulia de hoje não tem alma 100% italiana – se transformou em um carro alemão, tanto na ergonomia quanto na rodagem. Isso é bom.

RUÍDO ITALIANO

O técnico que me entrega o Giulia na bela cor Azul Montecarlo aponta para a placa de licença dianteira instalada na extremidade esquerda do para-choque com um sinal de aprovação, me convida a assumir o banco do motorista, pede que eu repare no botão de ignição embutido no volante e começa a me explicar o funcionamento do GPS e da central multimídia. Noto que o sistema é comum aos BMW. Com os cinco dedos unidos em concha, ele faz o gesto tipicamente italiano, como se dissesse quem diria! O controle do sistema do primoroso som fornecido pela Harman Kardon, com 14 alto falantes, segue o mesmo princípio adotado pela Audi. O acabamento, até onde a vista alcança, se equivale ao dos sedãs alemães. 

Os comandos estão posicionados no console central junto com o seletor de modo de condução, que a Alfa chama de DNA, com as opções econômico, normal e esportivo. Nos Alfa anteriores, como no Mito, o DNA parecia mais decorativo que funcional, mas no Giulia você é capaz de perceber pelo manejo dos pedais e da direção qual o modo selecionado.

A versão 2.2 turbodiesel vem com o primeiro motor a diesel construído em alumínio da marca. São 180 cv de potência (3.750 rpm) e torque de 46 mkgf (1.750 rpm). Potência e torque têm faixa útil bem limitada, mas o câmbio automatizado ZF de oito marchas se encarrega de administrar bem o quatro cilindros. O isolamento acústico, este sim, é italiano: o ruído do motor é alto, mas, em contrapartida, as vibrações são mínimas. Nas rodovias aparentemente sem limite de velocidade da Itália, viaja-se com conforto e sensação de domínio absoluto da máquina em velocidades acima dos 110 km indicados pelas placas de sinalização – as quais só os suíços em férias respeitam.

O carro tem todos os aparatos de segurança encontrados em modelos da categoria, mas nenhum deles atua cedo demais – há margem para emoção até que a eletrônica mostre a que veio. Há vários destaques positivos no conjunto mecânico do Giulia, como a suspensão bem acertada. Mas talvez o ponto alto do carro seja a direção, precisa e comunicativa, comparável com a dos melhores BMW.

O Giulia seria no Brasil uma bela opção aos sedãs alemães. Mas a Fiat não está empenhada em trazer a marca de volta ao País: um carro que na Itália custa a partir dos 35 mil euros não seria bom negócio para a marca neste momento. Não há como se orgulhar disso.

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