Aceleramos o Kia Stinger, que pode vir ao Brasil em 2018

Após fim da sobretaxa no Imposto de Importação, Kia estuda trazer o esportivo

Fotos: Divulgação | Texto: Aaron Robinson

“Jenny, ich liebe dich”, dizia o rabisco grafitado em um muro que passava pelo esforçado Kia Stinger em algum lugar perto do Metzgesfeld em Nürburgring – mais um dos intermináveis riscos que adornam cada milímetro desta pista insana. Jenny, esteja onde você estiver, esperamos que você tenha apreciado o trabalho de seu namorado.

Como o rapaz da Jenny, o Kia Stinger é um pouco corajoso, de seu nome ao estilo pretensioso, da carroceria hatchback à plataforma de tração traseira. Sua missão no mercado também, e ela parece completamente desconectada da Kia. Custando entre US$ 33.000 e US$ 48.000 nos Estados Unidos, o Stinger leva a Kia ao território dominado por rivais duros na queda, como o Lexus IS e a Série 3 da BMW. E o Brasil? Com o fim dos 30% extras no IPI, a Kia estuda a importação do esportivo ao Brasil em 2018.

O que a Kia está oferecendo? Um carro grande para sua categoria de preço, para começar. O entre-eixos de 2,91 m é quase 5 cm mais longo que o do BMW Série 3 e somente 4,3 cm mais curto que o do Porsche Panamera. O banco traseiro tem espaço para cruzar as pernas, mas o peso joga contra, variando entre 1.655 kg na versão básica com o motor 2.0 turbo, e 1.770 kg na versão V6 3.3 biturbo com tração integral.

O Stinger também ousa ser diferente, com uma carroceria hatch e bancos que foram elogiados por sua posição baixa. Com exceção de alguns mercados, o Stinger (que a Kia chama de CK internamente) será recebido principalmente como uma anomalia agradável de uma origem improvável. O designer-chefe Gregory Guillaume nos contou que a inspiração do estilo do Stinger veio de sua paixão pelos grandes grand-tourers que ele conheceu quando garoto, especialmente o Maserati Ghibli, rasgando a Autorute du Soleil no Sul da França. “Precisamos de pessoas que vejam os carros com o coração, não com o cérebro”, disse. Esses sonhos são o que acontecem quando coreanos contratam europeus e dão a eles carta verde para desenvolver os carros.

Kia Stinger

Isso e Nürburgring, porque além de Guillaume, trazido da Volkswagen em 2005, há três anos o grupo Hyundai-Kia também tirou Albert Biermann daquele que deve ser um dos melhores empregos da indústria: a direção da BMW M GmbH. Bierman, que está claramente adorando sua mudança de status, de remador na BMW a Mestre Jedi na Kia, diz que seu primeiro trabalho neste projeto era tentar “combinar a experiência dinâmica com a aparência emocional” do Stinger.

A Kia estava tão animada para mostrar os frutos de sua iniciativa europeia que levou os jornalistas a Nürburgring para avaliar a versão mais esportiva do Stinger, o GT, nos mesmos 20,8 km onde ela fez parte do desenvolvimento do modelo. O único problema: como todo o evento envolveu uma logística altamente complexa, tivemos apenas três voltas, duas em um Stinger GT de tração traseira, e uma no modelo de tração integral, atrás de um carro lebre pilotado no limite. Que é o mesmo que fazer comentários inteligentes sobre a rodagem e a dinâmica de um carro depois de passar 34 minutos debaixo d’água com ele.

O que podemos dizer é que o Stinger GT, que troca o 2.0 turbo de 258 cv por um V6 3.3 de 370 cv, parece um carro feito por gente que gosta de carros, e não é um completo desastre quando encara uma pista. Pelo contrário. Considerando que ele é feito pela Kia, cujo último desenvolvimento de tração traseira produziu o desajeitado K900, esta é uma grande notícia.

Biermann, que se refere ao esterçamento das rodas traseiras e à direção com relação variável como “todas aquelas traquitanas” diz que ele estava atrás de uma “boa relação custo/emoção”. Ele e seus engenheiros fizeram o melhor para encolher o enorme Stinger em alta velocidade, trabalhando sobre opções de buchas e pontos de ancoragem de braços de controle da suspensão, tudo para dar ao carro vivacidade, uma direção reativa e, com as rodas de 19” e os Michelin Pilot Sport 4S, uma aderência tenaz.

E de fato não há nenhuma traquitana aqui. Os componentes vitais como amortecedores e a caixa de direção foram fornecidos pela Mando, o fornecedor coreano da Hyundai-Kia. Agraciado com uma estrutura rígida, que traz benefícios que a Kia só descobriu recentemente, o Stinger gosta de apontar nas curvas ainda que a direção seja um pouco leve, e recompensa sua decisão de levá-lo a uma pista alemã com um controle preciso de  traçado e dinâmica neutra que o leva ao subesterço somente depois do limite.

Kia Stinger

A versão de tração traseira, que pode ser esterçado com o acelerador por meio de seu diferencial de deslizamento limitado com engrenagens helicoidais, irá se mostrar um carro de drift impressionante uma vez que o controle de estabilidade esteja desligado. Fomos convencidos a não desligá-lo, e não fomos avisados de que há um ajuste esportivo do controle de estabilidade que eleva os limites da intervenção se você apertar o botão de desligar uma única vez. Assim, todas as impressões foram obtidas nos modos comfort ou sport, nos quais o ESC fica fora do caminho.

O modelo de tração integral é mais propenso ao subesterço, embora o sistema de transferência de torque seja calibrado por Biermann para priorizar o eixo traseiro. Considere as rodas dianteiras mais como uma assistência para a direção em condições adversas, que é exatamente o que ele deve ser. Os discos e pinças de freio da Brembo instalados nos GT que dirigimos são operados por um pedal firme e, ao menos no carro de tração traseira, eram fortes em termos de desaceleração.

O motor 3.3, também encontrado no Genesis G90 e G80 Sport, e previsto para o futuro G70, que irá compartilhar a base com o Stinger, porém com entre-eixos mais curto e estilo diferenciado, serve o prato com uma pegada forte e um borbulhar barítono. A única reclamação que temos sobre o câmbio automático de oito marchas e suas três relações overdrive é sobre sua indecisão em responder as mudanças no modo manual em algumas situações.

Com os sedãs de tração traseira grandes e relativamente baratos cada vez mais escassos, e o Dodge Charger chegando ao final de sua longa vida, o Stinger promete preencher o nicho vindo de uma das fontes mais improváveis. Esperamos ansiosamente uma nova oportunidade de dirigi-lo em velocidades normais. 

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