Aceleramos o bem-sucedido Volvo XC60

O SUV que marcou a história da Volvo está pronto para mais uma década de sucesso

Fotos: Divulgação | Texto: João Anacleto

 

Volkswagen Fusca, Toyota Corolla, Honda Civic, Hyundai Tucson. Estes quatro produtos se tornaram sinônimos do logotipo que ornamentam e povoaram boa parte do planeta. E pode-se incluir aí o XC60. Com mais de 1 milhão de unidades vendidas em todo o mundo, ele poliu a imagem da Volvo por onde passou. A marca sueca, que era conhecida pela parca inspiração dos traços retos de seus SUVs e peruas, ditou tendências no segmento. Tanto que outro ícone mundial de vendas, o Honda CR-V, jamais hesitou em transparecer a tentativa de copiar sua silhueta marcante, em especial pela traseira côncava.

No Brasil, o XC60 passou das 20 mil unidades vendidas em pouco mais de 8 anos e encerrou 2016, último ano do seu ciclo de vendas, com 2.144 unidades vendidas. Uma demonstração de fôlego e prestígio, afinal, o cliente da marca – e o potencial cliente – já sabiam que o carro das fotos chegaria por aqui no 2º semestre de 2017. Disponível em três versões, todas equipadas com o motor 2.0 E-Drive de 254 cv, tem preços fixados a partir de R$ 239.950 na versão Momentum, R$ 259.950 como a Inscription das fotos e R$ 269.950 na R-Design, com acabamento e acessórios voltados à esportividade.

E se você é uma dessas pessoas que esperou pelo novo XC60, parabéns. Raramente você terá outra decisão tão acertada. Exagero? Coisa nenhuma.

Volvo XC60

TRONO DA SUÉCIA

O novo SUV traz nos novos traços uma espécie de resiliência, que só os nórdicos têm, de enfrentar o desafio do tamanho que é. Afinal, ele não poderá ser menos do que sempre foi. As luzes de LEDs compondo o já famoso martelo de Thor caracterizam um pouco esse traço, como no XC90, o irmão maior. A dianteira mudou completamente sem deixar de se parecer com o bom e velho antecessor, o logotipo em vez de trazer uma seta para cima em sua borda apenas acompanha sutilmente o corte diagonal que compõe seu espectro. A linha de cintura ganhou sobriedade enquanto a característica terceira janela inclinada está mais progressiva.

Sob a pele, há uma nova plataforma, a SPA (Scalable Product Architecture) que estreou no XC90 e foi reduzida para abrigar a alma do XC60. Modular, ela pode ser esticada e alargada de acordo com o produto em questão, seja ele SUV, sedã ou perua. Só conserva a distância do centro da roda até a caixa de direção. Segundo a marca, a SPA se notabiliza também por permitir desenhos com proporções bem inventivas e mais espaço interno. Assim, o XC60 ficou com o entre-eixos 7 cm maior que o antecessor, 4 cm mais comprido e 1 cm mais largo. As suspensões também mudaram. A McPherson dianteira foi substituída por um conjunto Double-wishbone, e os multibraços traseiros deram lugar ao sistema integral-Link, com quatro braços interligados em um ponto de apoio. É uma espécie de eixo de torção 2.0.

Lá dentro há mais do talento escandinavo na arte de desenhar. Você não vai encontrar em outro SUV deste preço o mesmo refinamento estético. Tudo é pensado para o bem-estar, e consegue colocar quem dirige, nessa atmosfera. Os bancos são anatômicos e têm linhas tão belas que poderiam estar no trono da Suécia. Seu painel mistura certo minimalismo, com linhas horizontais, e belas curvas. Nesta versão ele é entremeado por uma faixa de madeira polida, artigo típico de casas de campo suecas, que se estende até a cobertura do porta-objetos no console central e é capaz de transmitir um refinamento que seria difícil de sentir em metais mais nobres.

O volante vem em cor clara quando o acabamento é na cor bege clara. Se você optar pelo revestimento em couro terracota, marrom ou preto, a peça vem como acabamento mais escuro. Há metal na alavanca de abertura das portas, nas belas saídas de ar verticais e nos poucos botões que você tem para tocar. Poucos porque há uma central multimídia prática e inventiva olhando para você. O Sensus Connect é do tamanho de um tablet dos grandes, com 9” – um pouco menor que o painel de instrumentos, com tela de TFT de 12,3” – e recoberto por material antirreflexo, permite você acessar o tudo o que há no seu celular (Via Android Auto ou Apple CarPlay), comandar o GPS e todas as configurações do carro, das lâmpadas aos sistemas autônomos de condução.

Volvo XC60

AUTONOMIA

Falando em condução, neste Volvo tudo começa ao girar um botão, um detalhe bem refinado,  no console central. A direção leve e o excitante torque de 35,7 mkgf, fazem com que você flane de maneira veloz sobre o asfalto, mesmo com seus 1.926 kg de peso. O câmbio ZF de oito marchas trabalha com valentia e astúcia, contudo senti falta de borboletas atrás do volante para as trocas de marcha, um detalhe para a Volvo, uma pontinha de dor para um Viciado em Carro. As suspensões bem acertadas sofrem pouco em pisos castigados, mesmo com as belas rodas de 20”, o que causa um misto de prazer e estranheza. Você fica pensando “como pode ser tão macio com rodas tão grandes?”.

Com tração integral o XC60 também pode se aventurar no fora-de-estrada. A potência, majoritariamente tracionada pelas rodas da frente, pode ser deslocada em 90% para as rodas traseiras, caso seja necessário. Mas não rodamos nessa situação. Seria como ir jogar rúgbi de smoking.  E apesar de todas as qualidade que ele oferece, a Volvo quer mesmo é que você não se arrisque em deliciosas peripécias ao volante.

O SUV traz a versão atualizada do City Safety, que permite dirigir a velocidade de até 130 km/h de maneira autônoma. Ele enxerga as faixas de rodagem, o ponto cego, o risco de colisão lateral e faz frenagens em modo emergencial. E é bem fácil de usar. Em três toques nos botões, o XC60 já está andando sozinho, fazendo curvas e freando de acordo com a distância do carro à frente que você sugere. Além disso ele enxerga carros vindo na direção contrária e faz correções no volante, além de frear caso o risco de colisão seja eminente.

Só incomoda um pouco ter de tocar no volante de tempos em tempos para mostrar que você não desmaiou, mas este é o primeiro passo para uma tecnologia revolucionária. Segundo a Volvo, ela não vai aprimorar este sistema para o nível 3, como fez a Audi com o A8. A próxima geração dos carros suecos poderá chegar no nível 4, ou seja, autônoma, mas com comunicação entre os veículos e vias mais observância do motorista. Até 2020, a Volvo quer eliminar mortes por acidentes em seus carros. E talvez seja essa a máxima que renderá o sucesso para mais uma década. Já que nesta aqui, com este XC60, ele parece garantido.  

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